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Joaquim Peixoto: "A exigência para se ser treinador já é muito grande"

A 10 de dezembro de 2020, Júlio Ferreira venceu a Medalha de Ouro na competição de -80 kg do Campeonato da Europa de Taekwondo de Categorias Olímpicas, em Sarajevo, ao vencer na final o espanhol Jon Cintado. Joaquim Peixoto é o treinador que orienta o campeão europeu, numa parceria que já dura há 20 anos.

 

Joaquim Peixoto é natural do Porto, cidade onde fez todo o processo de formação e onde praticou Taekwondo até aos 19 anos. “Nessa altura mudei-me para Braga e dos 19 aos 29 anos, fui atleta e treinador, simultaneamente”, conta o próprio. “Com a minha vinda para Braga, os meus primeiros alunos foram os meus atuais familiares – a minha mulher, cunhados, falecido sogro… depois as coisas foram crescendo. Mas eu ainda tinha o bichinho de competir e participava em competições até para projetar o nome da equipa. Daí até resultou a minha participação no 1º Campeonato do Mundo em 1995, em Manila, nas Filipinas, em que participei eu e o meu cunhado”, recorda. “Na altura ainda era possível conciliar ser atleta e ser treinador, atendendo a que o grau de exigência não era tão elevado como hoje em dia. Não era fácil, mas era aliciante e ia motivando os meus atletas também”, relembra o treinador do SC Braga.

Abraçou definitivamente a carreira de treinador aos 29 anos, com um convite para ser Selecionador Nacional: “O presidente da Federação convidou-me para abraçar o projeto da Seleção Nacional, eu achei o convite muito honroso e fui selecionador durante 14 ou 15 anos”, desvenda. E acrescenta: “Hoje, para se ser treinador, tem de se ser só mesmo treinador, porque a exigência já é muito grande e a modalidade já atingiu patamares de profissionalização muito grandes”.

Com um palmarés notável, soma inúmeros títulos, dos quais destaca três: “Enquanto treinador e selecionador da modalidade, pensando na questão coletiva, foram indiscutivelmente o Campeonato Europeu de Sub-21, em que Portugal foi Campeão da Europa, o 2º lugar por equipas do Campeonato Europeu Absoluto e foi o 3º lugar por equipas no Campeonato Europeu de Categorias Olímpicas. Foi uma afirmação nossa perante toda a nação europeia e do nosso valor enquanto nação”, afirma, com orgulho.

VINTE ANOS A ORIENTAR JÚLIO FERREIRA

O Júlio treina Taekwondo há 20 anos e eu sou treinador dele há 20 anos”, elucida o técnico, que partilha como é uma semana de treinos do atleta. “De acordo com os procedimentos atuais, os treinos específicos da modalidade são diários, com exceção do domingo, portanto de segunda a sábado há trabalho de treino específico de Taekwondo. Depois, de segunda a sexta, há também pela manhã trabalho complementar. Ou seja, ele faz diariamente duas horas e meia a três horas de treino, repartidas em sessões bi-diárias. Quando se aproxima um evento importante o volume de treinos diminui e aumenta a intensidade dos mesmos”. E não hesita em contar a novidade: “Isto em simultâneo com a faculdade, que terminou precisamente ontem, dia em que o Júlio fez a defesa do seu projeto e já é arquiteto!

O Taekwondo, modalidade de grande contato físico, foi bastante afetada com a pandemia causada pelo vírus Covid-19. Joaquim Peixoto e Júlio Ferreira foram até apanhados de surpresa com o confinamento: “Quando isso sucedeu, estávamos na Bélgica, para participar numa prova, numa fotocópia daquilo que seria a nossa participação numa prova de apuramento para as Olimpíadas. Fomos com uns dias de antecedência, como íamos fazer no pré-Olímpico, seria uma pequena preparação a todos os níveis, para passarmos por um cenário igual e não ser nenhuma novidade para nós. E cancelaram a prova, já quando lá estávamos e tivemos de voltar. Fomos apanhados de surpresa e naquela primeira semana ou dez dias, ficámos atrapalhados e a pensar “o que vai ser de nós agora”. Depois, como é característica nossa, fizemos da adversidade um desafio, pegámos nisso e começamos a construir as coisas. Escolhemos um dia, viemos recolher materiais ao nosso espaço de treino, materiais mais relacionados com treinos de força, cada um levou os seus kits de trabalho para as suas casas e fomos fazendo treinos com acompanhamento à distância. Não vou desmentir que durante esse tempo foi feito um trabalho muito engraçado, atendendo ao contexto. E este resultado recente do Júlio não é algo que surge da semana passada para esta. Surge porque houve aqui uma responsabilidade muito grande, pelo facto de estarmos inseridos no projeto olímpico e a ambição que temos de uma qualificação para as Olimpíadas, isso levou a que continuássemos com o rigor possível, no contexto em causa, a treinar. Os atletas treinaram em casa e treinaram muito bem, o que se comprovou com a bateria de testes físicos que foram feitos na altura do regresso deles do confinamento e os resultados foram bastante agradáveis. Não houve uma regressão tão grande como aquela que eu, enquanto técnico, pensava que ia haver”, confessou. “Claro que faltavam as rotinas específicas da modalidade, o contato com outro companheiro, toda a questão do contato físico que a modalidade em si exige, o controlo de distância… Mas no que se refere à componente física, fiquei muito satisfeito. Foi a demonstração da responsabilidade que eu e os colegas de equipa assumimos”, assegura.

REGRESSO INESPERADO À COMPETIÇÃO

Nós não tínhamos nada no calendário, o que também estava a ser algo perturbante porque funcionamos muito com datas e estávamos a simular que iríamos ter algo, com um bloco de preparação que cumpríamos mesmo sem existir competição. As duas últimas provas surgiram recentemente no calendário, a Federação Europeia decidiu começar a realizar eventos e quando tivemos conhecimento delas, ficámos animados, obviamente, porque já tínhamos algo onde poderíamos pôr em prova o que estivemos a fazer dentro de portas. Tivemos dois fins de semana seguidos com competições – uma foi o Campeonato Europeu de Clubes, onde o Júlio foi Medalha de Prata e, depois, o Campeonato Europeu de Categorias Olímpicas, onde se sagrou Campeão Europeu. O que podemos constatar é que o trabalho que fizemos veio, uma vez mais, provar que estamos no bom caminho”, assume o treinador. “A nossa intenção era o pico de forma para janeiro, quando se iria disputar a prova de qualificação para os Jogos Olímpicos, mas já foi adiada para maio. Ou seja, vamos ter de retomar todo o nosso processo de preparação. Estas provas forneceram-nos bons indicadores e estávamos a ir muito bem, os resultados refletiram isso. Estamos a falar de resultados alcançados até perante atletas com uma posição no ranking melhor do que a do Júlio - 14º no Ranking Olímpico - com os quais ele se enfrentou. São indicadores motivacionais muito bons”, considera. Sobre os excelentes resultados alcançados recentemente, não esconde que “foram emoções muito positivas, num momento pessoal sensível para o Júlio, que soube, à chegada a Sarajevo, que tinha falecido a sua avó e, apesar de sermos amadores, manteve um profissionalismo muito grande a todos os níveis”.

Apesar do adiamento da prova de qualificação para os Jogos Olímpicos, os objetivos continuam bem definidos: “O nosso objetivo é a qualificação para os Jogos Olímpicos, mas a nossa finalidade é uma medalha olímpica. É para isso que continuamos a trabalhar, mesmo com os condicionamentos”, garante o treinador.

A Confederação de Treinadores de Portugal deseja um bom trabalho e muito sucesso a Joaquim Peixoto e a toda a sua equipa nos desafios que se avizinham!

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