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Ana Hormigo a formar judocas de sucesso desde 1999

Telma Monteiro venceu a medalha de prata na categoria de -57 kg no Campeonato da Europa que se desenrolou em Praga; Rochele Nunes trouxe para casa a medalha de bronze. As duas atletas são orientadas pela selecionadora nacional e ex-atleta medalhada Ana Hormigo.

A ligação de Ana Hormigo ao Judo é uma paixão de infância: “Eu comecei a praticar Judo aos 9 anos. Foi logo uma paixão que eu tive, aquele gosto pelas  artes marciais que me despertou logo a atenção e tive desde sempre o sonho de participar nos Jogos Olímpicos – longe de saber o caminho que tinha de percorrer! Acabei por conseguir ao longo do tempo ser campeã distrital, ser campeã nacional, começar a ganhar medalhas a nível internacional e cumprir o sonho olímpico que todos os atletas têm e em 2008 participei nos Jogos Olímpicos de Pequim!”, conta, com orgulho que não esconde.

O passaporte para os Jogos Olímpicos de 2008 não foi fácil de conquistar como recorda a própria: “Era a última prova de apuramento olímpico em 2008, na altura bem diferente do que agora é o apuramento olímpico no Judo e eu necessitava mesmo de um bom resultado no Campeonato da Europa. Foi em Lisboa, foi em casa que consegui a medalha de bronze – foi a minha única medalha no Campeonato da Europa de Seniores. Finalmente, nos Jogos Olímpicos consegui ficar em 7º lugar em Pequim”.

Ana Hormigo começou a conciliar a carreira de atleta com a de treinadora desde cedo: “Aos 18 anos fui tirar o curso de treinadores de grau 1 e comecei logo a conciliar as carreiras, era atleta e comecei a dar aulas às camadas mais jovens. Conciliava isto do alto rendimento, o dar aulas aos mais jovens e estudar no ensino superior. Era engraçado porque quando chegava a altura da matrícula no ensino superior, eu não sabia qual era o estatuto que iria ter, porque eu acabava por ser trabalhadora-estudante, atleta de alto rendimento ou mesmo dirigente associativa, porque depois acabava por estar envolvida no clube, na Associação ou nos corpos sociais. Diziam-me: `Tens de escolher um!´”, partilha, entre risos. “Estive muito tempo como treinadora do clube, que era a minha profissão e que conciliava com a carreira de alto rendimento, ou seja, desde muito cedo que estive ligada ao lado do treino e sabia que quando acabasse a carreira de atleta queria continuar no Judo e acabei por me apaixonar por ser treinadora.”

DA ACADEMIA DE JUDO DE CASTELO BRANCO À ESCOLA DE JUDO ANA HORMIGO

Eu comecei a dar aulas de formação no meu clube, na altura – a Academia de Judo de Castelo Branco – e comecei também a formar pequenos clubes, juntamente com o meu treinador, que era também meu namorado e agora meu marido. Em 2007 formámos o nosso projeto, a Escola de Judo Ana Hormigo, porque já tínhamos vários clubes onde dávamos aulas. Já tínhamos muitos atletas, de vários clubes, alguns bem jovens e tivemos a necessidade de criar a Escola de Judo Ana Hormigo. Um ano antes do apuramento para os Jogos Olímpicos eu acabei por sair do clube de formação, fui representar outros clubes e quando terminei a minha carreira de atleta comecei a representar o meu próprio clube, a Escola de Judo Ana Hormigo”, revela.

Depois de ter sido colega de Telma Monteiro – que agora orienta na Seleção Nacional – no apuramento para os Jogos Olímpicos de Londres, Ana Hormigo deu por terminada a carreira de atleta e integrou logo de seguida a equipa técnica da Federação Portuguesa de Judo. “Acabei por ser parceira de treino da Telma Monteiro e da Joana Ramos para Londres, porque para esses Jogos Olímpicos só tive um ano de apuramento olímpico, devido a uma pausa entre 2008 e 2012 - fui mãe entretanto - e então acabei por não conseguir apurar-me para 2012. Apesar de achar que estava bem fisicamente, até foi quando conquistei medalhas de ouro a nível internacional, não chegou porque só tive cerca de um ano para me apurar e o apuramento no Judo são dois anos. Assim, em 2012 terminei a carreira de alto rendimento e, na altura, fui convidada pelo selecionador nacional para integrar a equipa técnica da Federação – o que eu fiz logo após os Jogos Olímpicos de Londres.” Deixou a Federação em 2014, por opção própria, mas três anos depois voltou: “Em 2017, fui novamente convidada para voltar a fazer parte da equipa técnica da Federação, o que acontece até hoje! Estou à frente da equipa Senior e da Sub-23 Femininas, acompanho a preparação da equipa Senior Feminina para os Jogos Olímpicos de 2021: a Telma Monteiro, a Joana Ramos, a Rochele Nunes, a Bárbara Timo… são todas as femininas que passam por nós”, destaca a selecionadora nacional.

Apesar das dificuldades que a pandemia causada pelo vírus Covid-19 provocou, Ana Hormigo revela que o Judo português acabou por ser um modelo para os outros países. “O Covid afetou-nos bastante e tivemos de nos adaptar de semana para semana. Nós somos uma modalidade considerada de alto risco pelo contato físico que temos mas conseguimos adaptar-nos a todas estas circunstâncias. Ao início foi mais difícil, porque as pessoas estavam mais receosas. Em Coimbra encontrámos as condições ideais para concentrarmos as equipas todas – desde os seniores até aos mais jovens – os Juniores (Sub-21) e os Cadetes (Sub-18). Antes de iniciarmos cada estágio todos os atletas, treinadores e equipa técnica são testados para que toda a gente esteja confortável a treinar. Desde junho que estamos concentrados ou durante a semana ou ao fim de semana, todas as semanas e treinamos com as equipas todas e o nosso trabalho tem dado frutos”, constata Ana Hormigo. As medalhas conquistadas recentemente nos Campeonatos da Europa,em Praga são prova disso: “Os resultados desse trabalho apareceram agora nos Campeonatos da Europa não só dos Seniores mas também dos Juniores, que tiveram uma boa prestação. Conseguimos criar uma confiança nos atletas em que estamos todos a trabalhar com o mesmo objetivo. Há um grande espírito de equipa, conseguimos estar ali todos já mesmo a apontar para Tóquio 2021 e os mais jovens até para Paris 2024”, antecipa.

O modelo adotado pela Federação Portuguesa de Judo “tem corrido bastante bem porque conseguimos mostrar que trabalhamos ao mais alto nível, conseguimos manter o trabalho e toda a preparação destes atletas para os grandes eventos assim, porque o Judo não cancelou provas, foi adiando e nós ficámos com um calendário incerto. Assim que a Federação Internacional retomou o circuito de apuramento olímpico, fizemos duas provas – o Grand Slam da Hungria em outubro e agora o Campeonato da Europa de Seniores em novembro – e demonstrámos que tivemos uma preparação de excelência mesmo com esta pandemia. Fomos um modelo a nível internacional porque conseguimos fazer duas provas nacionais de teste, fizemos uma prova no final de setembro e o Campeonato Nacional em outubro. Foi um teste também para nós para ver como nos adaptávamos e a nível internacional copiaram este modelo de Portugal. A verdade é que nós fomos dos atletas que tivemos uma melhor preparação nisto de funcionar em bolha, porque depois a nível internacional também temos de funcionar assim e ficar limitados ao hotel e ao pavilhão para que não haja o perigo de contágio. Também preparámos os atletas para uma situação completamente diferente da habitual”, relata Ana Hormigo.

Sem conseguir precisar o número de medalhas já conquistadas enquanto selecionadora nacional, evidencia os bons resultados do Judo português: Temos tido resultados de relevo, já temos hipoteticamente apurados para os Jogos Olímpicos – porque não conseguimos apurar diretamente – seis atletas femininas e três atletas masculinos. O apuramento só termina em maio, mas elas estão dentro do ranking dos 18 atletas que se apuram diretamente. Não posso dizer com a certeza absoluta que estão apurados, mas quase de certeza e se assim for será a maior participação de sempre do Judo português nos Jogos Olímpicos. Isto é o resultado do trabalho delas no circuito internacional, em que nos habituaram à conquista de medalhas, o que é muito gratificante”.

Com uma agenda cheia para 2021, os Jogos Olímpicos serão o ponto alto do próximo ano: “As atletas já estavam muito focadas nos Jogos Olímpicos em 2020, já estavam todas as energias concentradas para esse grande evento e também nos tivemos de adaptar a essa mudança. Agora vamos ter outras provas de apuramento muito importantes, que é o caso do Masters que soubemos hoje que está agendado para o início de janeiro de 2021 e é a prova onde só podem entrar os 36 melhores atletas de cada categoria e que tem uma pontuação muito elevada para os Jogos Olímpicos. Temos também o Campeonato da Europa no final de abril, que também conta para o apuramento olímpico e que eu acredito que seja um campeonato onde nós podemos tirar muito partido por ser um campeonato em casa; temos ainda previsto também um Campeonato do Mundo antes dos Jogos Olímpicos, prova com uma pontuação também muito elevada e, finalmente, os Jogos Olímpicos. No Judo, vão aos Jogos Olímpicos os 18 melhores atletas do ranking mundial, poderão depois aparecer mais alguns noutras quotas mas é um lote em que estão os melhores atletas do mundo e temos de estar muito bem preparados. Temos tido ao longo do apuramento olímpico muito bons indicadores, muito bons resultados e esperemos que nos Jogos Olímpicos isto se vá refletir. Sabemos que é a “prova das provas”, onde só estão os melhores, mas os nossos atletas estarão lá para lutar pelas medalhas. É a isto que eles nos têm habituado”, afirma, com um sorriso.

Portugal quer estrear-se da melhor forma na prova de equipas de Judo nos Jogos Olímpicos: ”Queremos também fazer uma grande estreia na prova de equipas, que será uma novidade. Eles todos vão competir a nível individual mas no final da prova – e para isto ainda estamos a tentar o apuramento olímpico – vai haver uma prova de equipas, com três raparigas e três rapazes. Nós fomos, o ano passado, vice-campeões da Europa, portanto acredito que também ali poderemos fazer um resultado de excelência. Temos um grupo muito comprometido no trabalho, com o rigor e disciplina que nós exigimos e se conseguirmos manter o grupo assim motivado, os resultados vão saltar à vista”, garante a selecionadora nacional.

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